Sim, o primeiro produto dos 12 é mais um app de to-do list, e eu sei como isso soa, porque devem existir centenas deles. Mas ele nasceu de uma dor que tenho há anos, e antes de falar dele quero mostrar a estrutura que estou usando para criar produtos sozinho.

Toda semana vou apresentar a ideia de um produto ou contar o que mudou nele a caminho do lançamento, o que não quer dizer um produto por semana. Em cada um, conto por que ele surgiu, qual é o objetivo e como tenho feito para criar vários produtos sem um time.

Primeiro, a estrutura

A primeira coisa que estou criando nem é um produto. É uma base de conhecimento com vários agentes e skills, que me ajuda principalmente nas áreas em que não sou especialista. Meu background é todo de tecnologia, e criar, lançar e validar um produto pede competências de marketing, de produto, de marca, de copy e de UX que não vêm da minha especialidade. Sei por que cada uma importa, mas não consigo aplicar tão bem quanto quem se dedica a ela.

Então fui criando agentes para cada área: branding, copy, UX writing, UX, product manager, e assim por diante. Hoje são uns 20 agentes e quase 50 skills. Cada um junta o que eu sei com técnicas que já li, apliquei na carreira e sei que funcionam, e todos trabalham em prol do mesmo lançamento. Eles pesquisam, propõem e rascunham, mas toda decisão passa por mim.

Confesso que no início foi mais complexo do que eu esperava. Os agentes inventavam coisas, com respostas que soavam certas e não tinham base nenhuma, então tive de criar regras de evidência para separar fato de opinião. Também precisei organizar o contexto, decidindo o que cada um lê, porque contexto demais confunde e de menos faz o agente chutar. E no começo tinha muito retrabalho, com várias idas e voltas até sair algo aproveitável.

Os últimos resultados, porém, têm me agradado muito, e me deram uma certa esperança de que vai ser mais simples do que imaginei. O que mais me agradou até agora foi a parte de marca, que é justamente uma das áreas em que eu menos sei executar, e um dos produtos já tem um guia de marca inteiro feito assim. Mostro qual nas próximas edições. O próximo passo é esse ecossistema evoluir para os agentes compartilharem conhecimento entre si.

O primeiro produto

Ele passa pelo primeiro filtro do manifesto, resolver um problema meu: organizar agenda e tarefas.

Já tentei de tudo um pouco: apps de tarefas, um sistema montado por mim numa ferramenta de notas e planilha, e até só o calendário. Nenhum durou, por três motivos. Cada um fazia uma parte, com as tarefas num lugar, a agenda em outro e os hábitos em outro, sem nada conversar. O sistema montado por mim dava trabalho de manter, e uma hora eu parava de alimentar. E os apps mais completos tinham tanta função que o básico ficava difícil.

Na verdade, ele não é um app de to-do list. É onde estou juntando coisas que li, apliquei e testei no dia a dia, porque nunca achei um modelo que funcionasse para mim: GTD (Getting Things Done), bullet journal e zero-based calendar. Usei cada uma dessas metodologias em algum momento da carreira e gosto do que cada uma tem de específico. Do GTD, tirar tudo da cabeça numa caixa de entrada. Do bullet journal, o registro rápido e a revisão do dia, da semana e do mês. Do zero-based calendar, a ideia de que toda hora do dia tem um destino. Então pensei num app que juntasse as três.

Nele vou conseguir colocar tudo o que preciso fazer, acompanhar hábitos, não só os profissionais, e organizar a agenda inteira pelo zero-based calendar. Tenho vários hábitos que quero atingir e acompanhar, de saúde, de leitura e estudo e de tempo com a família, e o que não é medido não dá para melhorar, então quero que eles façam parte da rotina junto com as tarefas. Ainda não uso o app no meu dia a dia, então tudo isso por enquanto é o que quero que ele faça.

A ideia é um app de produtividade simples, com essas metodologias aplicadas de um jeito que funcione e com integração com IA, que hoje, com MCP, é bem plausível.

Por que esse primeiro

A dor é antiga, mas ficou maior agora. Vou trabalhar nesses produtos sozinho e ao lado do meu trabalho, então preciso ser bem eficiente e efetivo no controle da agenda, e um app desses me ajuda exatamente nisso.

Além disso, ele faz sentido como negócio por quatro motivos.

Existem muitos apps de produtividade, e é justamente por isso que vale entrar: existem tantos porque muita gente usa e paga por esse tipo de app. Só o Todoist, um dos mais conhecidos, diz ter mais de 1 milhão de pessoas pagando o plano Pro. Então é um nicho em que faz sentido investir.

Dá para cobrar em dólar e vender no mundo todo, que é o segundo filtro do manifesto, e internacionalizar é fácil porque o app tem pouco texto para traduzir.

É um conceito fechado, com começo, meio e fim. Como aplica metodologias que já existem, não pede tanta evolução, e o engajamento de quem usa também é relativamente simples.

E o momento ajuda. Estou construindo em outubro, faltam poucas semanas para o ano acabar, e o fim e o começo do ano são exatamente quando as pessoas planejam o ano seguinte e procuram esse tipo de app. Um exemplo é o HabitKit, um app de hábitos feito por um dev sozinho: segundo o próprio criador, só janeiro de 2025 rendeu US$ 112 mil, perto de um quinto dos US$ 602 mil do ano inteiro. Ele é de hábitos e não de tarefas, então não dá para dizer que o meu terá o mesmo pico, mas é uma onda que quero pegar, no uso e nas vendas.

Na próxima terça

Vou falar de preço e de como vai ser a campanha de marketing. Depois entro mais na parte de produto e em quem é o cliente em que vamos focar.

Qual projeto está parado aí, e em que ponto ele parou? Não precisa contar a ideia. Se não tiver nenhum, me conte também, porque é assim que vou entender para quem estou escrevendo. É só escrever para hey@gustavopereira.me, uma linha basta.

Até a próxima terça.

Gustavo